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Classificação:

Arte e cultura, Livros, Política Cultural MSN - Diversidade Cultural



Categoria: Link
Escrito por Luís Gonçalves às 03h31
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SPA

Ando enjoado de gostar somente da minha pessoa. Cansando de fazer o que é melhor para mim. Conheço tudo de minha pessoa. Já me encontrei e me perdi diversas vezes. Debrucei nos deslizes por infinitas razões. Sei que sou falho e até curto alguns defeitos que insistem em ficar salientes na borda do saco sem fundo.

Embora tenha selecionado tudo com o maior critério confesso que sinto uma falta imensa das coisas que por descuido podei. Sinto falta dos beijos pecaminosos que me enchiam de felicidade. Cortei porque isso me fazia devasso e totalmente vadio. Isso me deixou vulnerável.

Sinto falta, também, das noites incríveis de orgias entremeio as estrelas do momento. O que fazia meus pensamentos delirarem entre as sextas e sétimas intenções; nunca compreendidas pela irmandade. Porém, me deixavam acreditar na eternidade. Sinto falta de enfrentar o perigo de amar. De se expor ao prazer da vida. De ser castigado severamente pelo pecado da carne.

Sinceramente, não sei mais o que fazer com tanta saúde e equilíbrio moral. Percebo que estou gastando toda a minha paciência me cuidando para nada. Não suporto mais ficar belo somente para mim. Estou me transformando numa amostra grátis de felicidade sem utilidade alguma.

Sinto saudade de saborear a vadiagem me consumindo aos poucos e me moldando com as melhores libertinagens da atualidade. Tenho saudades do tempo que errava e sentia a emoção de enfrentar a realidade da marginalidade. Era gostoso pagar pelos erros e adquirir o diploma de honra ao mérito pela experiência vivida.

Isso me transformava num campeão de vida. Produzia emoções incríveis. Não tem sentido viver acumulando conceitos e dogmas desnecessários apenas para entregar ao triste fim inevitável. A vida é mais que um sorriso predefinido. De modos relativamente perfeitos.

É necessário gargalhar do inusitado. Regalar do perigo de ser feliz. Correr riscos desnecessários que provocam os sentidos e mexem com a libido. É isso! Estou com uma vontade maluca de fazer com alguém aquelas maldades que me transformam em chato, feio e ridículo.

Quero voltar ao campo de batalha por um imenso amor que me provoca e me consuma sem moderação. Não quero mais viver preso a essa metade que me leva ao paraíso sem uma Eva bandida por perto que faça perder a paciência.

Quer saber?, vou pra casa das primas. Lá pelo menos sempre estarei entre parentes.



Categoria: Crônicas
Escrito por Luís Gonçalves às 23h21
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LYCRA

Não vi a minha mãe envelhecer. Também, não a vi quando jovem. Nasci muito tempo depois daquele que seria o último. Sou um filho temporão. Assim se referiam àqueles rebentos tardios.

Quando a conheci era uma senhora idosa de perfil lotado totalmente full. OffRoad. Figura robusta de fêmea matrona com a barra da saia presa a cintura correndo. Montando a cavalo e tirando o leite das vacas.

Minha mãe casou tarde. Já era moça velha e ficou viúva com menos de quarenta anos. Em momento algum titubeou, meteu o chicote no tempo e cascou espora no mundo. Galopou pelas veredas da vida como uma guerreira solitária. Minha mãe fervia, se queimava, mas era só de raiva. Atualmente está com noventa e um anos caminhando para noventa e dois.

Desgarrado da tropa, por ser muito novo, me coube o destino do mundão. Perdi o convívio familiar. Nas minhas andanças aprendi alguns ofícios de qual nem posso orgulhar.

Teria até continuado assim se não tivesse acontecido um acidente que acabou fragilizando a mamãe; obrigando-me a por o pé no freio; dar meia-volta e sentar um pouco ao lado dela.

Ouvindo suas histórias e causos descobri que ela envelheceu. Percebo que balança com frequência a cada movimento. As histórias são repetitivas e na maioria das vezes juntas e misturadas. Não dá mais para saber se são antigas ou recentes. Apenas ansiedade e transmissão.

A velhice dela me ensinou que os sonhos não são mais importantes que os momentos vividos; que um dia tudo se dissipa como fumaça ao ar e o que resta são apenas lembranças de ações e atitudes.

Que a construção enrijece a alma e acumula energia necessária para a vida; o trabalho molda o corpo segundo nossas aptidões; e a alegria está mais ligada a satisfação do bem-estar do que ao prazer.

Apesar de toda valentia a minha mãe se sente fraca e indefesa diante da grande espera. Ela sabe que viveu nos limites. Abusou da velocidade. Caminhando ao lado dela no quintal lhe disse: - “Vá e conquiste o mundo, mas não deixe o mundo te conquistar!”

Essa foi à frase com o qual me abençoou no dia da minha partida, há muito tempo atrás. Então, sem sequer me olhar respondeu: “Pois, sim... E se não é eu te chamar, não teria encontrado o caminho de volta!”



Categoria: Crônicas
Escrito por Luís Gonçalves às 21h06
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INVEJA

Ventos que sopram sem rumo. Bolinando com quem está quieto. Trazendo desavenças as folhas que ainda agarram na esperança verde das árvores frondosas. Chegam de mansinho curtindo os braços de uma brisa qualquer.

Sutilmente engarupado na velha aragem do lugar. Cogita o que não deveria e assombra a pouca paz para um canto onde não se há saída. São ventos poluídos pelos odores da maldade. Viciados na destruição.

Chega chegando! Lotado em total insolência do acaso. Acobertado pela malícia. Se deliciando no couro de uma dança fortuita. Faz parte da tradição do velho burro que fugiu. Embaralhado na cor da noite sem luz.

A inveja consome a energia dos fracos e testa a coragem dos bons. É um entregador de vidas ao fundo do poço de desejos duvidosos. Faz parte de uma linha sem fim e sem juízo.

Pior que morrer é ser baleado pela inveja. Alvejado pelo dor de cotovelo de uma conversa qualquer. Ninguém consegue conter a voracidade de uma inveja encanada. Também, não se sabe até aonde isso vai parar.

A copa pantaneira é uma taça sedutora contendo vários tipos de venenos. Temperados com boa dose de malícia é jogada aos quatros ventos da inveja. Nos braços da ilusão cria expectativa desnecessária e choros sem velas. É difícil entender as mudanças operacionais.

Mas mesmo que doam nos cotovelos, que ficaram na janela, as mesmas, irão acontecer. Cuiabá deixou de ser simplesmente uma saudosa cidade de becos e vielas românticas para assumir o charme de grande metrópole.

Vaga ao sabor do vento das novas opções que resolvam velhos problemas estruturais. Isso dói! Arranca as vísceras contaminadas de paixão e lança o vento da discórdia.

Para uma região acostumada a assistir o bonde passar de longe numa miragem quase mágica ver a locomotiva soprar seu furor na própria camarinha dá um frio no pé e uma sustância maluca de ralar peito no mundo.

Isso é danado para empenar o juízo da pessoa. Parir conversa antiga que antes fazia até boi dormir. O difícil não é enfrentar o infortúnio da mudança. Pior é conviver com o desvio de conduta.

A inveja consome as atividades benéficas e patrocina encontros destrutivos. O crescimento é inevitável e carrega recursos nem sempre aconselhável. Afinal, o jogo só acaba após o apito do juiz.



Categoria: Crônicas
Escrito por Luís Gonçalves às 00h09
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PREGUIÇA

Nada mais generosa que a sombra de uma mangueira. Que foi cantada em verso e prosa por todos. Além da sombra os frutos. A mangueira é um símbolo de prazer regional. Está diretamente ligada aos prazeres da carne do homem pantaneiro. Famílias inteiras iniciaram embaixo de uma mangueira enquanto aguardavam a casinha de barrote ficar pronta.

Depois vem o fruto que faz a alegria dos barrigudinhos. Essa alvissareira sombra possui uma sedução irresistível. Certa vez ouvi de uma senhora que a sombra da mangueira é afrodisíaca. Segundo ela, deitar numa rede embaixo de uma mangueira é perigo total.

Assim como as mangueiras as redes cuiabanas são uma coisa a parte. As redes cuiabanas são teias de emoções fortes. Nessas paixões escapam os versos que viram toadas e fazem a alegria da galera que limpa o banco.

Quem veio lá não sei de onde também aprendeu a curtir esses pecados capitais. Tanto que em Cuiabá, muitos assuntos ainda são discutidos em boca de siri. Ainda há dedo de prosa que se alonga mais do que deveria.

Aquele velho costume de mandar recado conquistou a mídia que só falta ser sócia dos correios. A verdade é que não foram os paus rodados que conquistaram a cuiabania. Os pantaneiros acabaram domando o jeito rebelde da turma. Colocou um ritmo cadenciado neles e aí?, blau, blau, cachimbo de pau!

A primeira coisa que os dengosos de fala macia fizeram foi dar a eles a cabeça do Pacu. Ficaram aqui para sempre. Para conter a ansiedade dos malucos, os empanturraram de muito doce de caju e furrundu de mamão. Esfriaram o sangue das crianças deixando-os tomarem uma fresca ali embaixo da mangueira.

Depois disso, bem que quiseram ser espertos. Meteram trator no Cerrado, cavaram e escavaram daqui, dali, mas acabaram mesmo esbarrando no modismo dengoso do lugar. Por aqui como se toca, dança.

Ninguém briga, todo mundo dança o baile conforme a música. Ninguém faz fuxico da vida de ninguém, só breve comentário. Por falar nisso, as obras e as ações desse povo ficaram lentas pra caramba.

O PAC é um pacote de trelelê. As obras da copa, está igual à seleção: coisa de mano pra mano. Enquanto isso o pantaneiro oferece sombra e água fresca para os turistas que nem sabem ainda como irão chegar a lugar algum.



Categoria: Crônicas
Escrito por Luís Gonçalves às 10h33
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GULA

Logo ali na rua do Pito Aceso residia uma senhora moradora antiga do lugar danada para jogar um dedo de prosa na cara do freguês. Das muitas que ouvi a que remete ao tempo era a seguinte travessa: “macaco quando nunca comeu mel quando come se lambuza”.

Desde que a conversa de pé de ouvido passou a ser pela ponta do dedo o mundo foi dos sopranos aos pianistas assumindo posteriormente à patente dedo duro. Abafa o caso!

A mídia popular recriou a função e deu origem aos famosos dedos podres, tortos e esculhambados. Em diversas ocasiões as velhas e gloriosas questões que se remetem ao passado viraram novela e foram para o horário nobre.

O mundo da fantasia deixou de ser simplesmente uma falsa modéstia e apelou para a audácia pura. Cresceu os apelos do fazer. O próprio fazer já não é o mesmo. Acabou contaminado pela sanha de construção e deliberadamente ergueu oásis em desertos de intenções.

A copa pantanal chegou ao vácuo de possibilidades que preenchia a lacuna do tijuco. Na bagagem veio a febril teoria de realização a vapor. Abriu canteiro de obras na cidade e mostrou a fragilidade de alguns serviços públicos inerentes.

Na dela, até porque desastre público é algo que acontece naturalmente no País e não há porque se lamentar. O evento também serve para testar a paciência do cuiabano. A cidade muda para melhor. A copa não é ruim, é dolorida. Dependendo do placar final pode ser colorida.

Exercita o ato de ir com sede ao pote. Aliás, o evento promove um vendaval de emoções. Mexe com a libido. Enquanto se discute o desvio do trânsito as pessoas já desenham o novo figurino que fará moda na beira do gramado. Isso dá uma fome de tirar o chapéu.

A copa não se resume somente em peladas e nus masculinos. Abre o apetite de desejos ocultos. Estimula a política a criar mecanismos de vantagens expressivas dentro de um momento extremamente devorador.

A copa é um consumidor externo disposto a se empanturrar das iguarias da terra. A cidade será o grande almoço de domingo e quem comeu, comeu; quem não comeu, não come mais.

Enquanto os “cucas” se debatem na cozinha Tereza arruma a mesa para a festa do interior.



Categoria: Crônicas
Escrito por Luís Gonçalves às 10h08
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AVAREZA

Toda construção, também, é um processo de desconstrução. Por isso o processo deve ser lento e cuidadoso. Toda mudança assusta.

Algumas causam impactos dolosos. O ato de seguir adiante deve ser um caminhar lúcido e coerente. Quando é feito automatizado o trator passa fazendo a terraplanagem e deixando abertas feridas que sangram.

No passado, um País de força ao tentar conter as ideias dos “subversivos”, torturou e matou. Isso deu origem a cicatriz profunda no rosto da sociedade. O processo acelerou um crescimento político mascarado entre fatos e fotos de um regime autoritário.

Cá por essas paragens, para proteger as minas do vil metal ceifaram a vida de centenas de indígenas. A mácula disso está pintada no rosto triste dos poucos guerreiros que restaram.

O progresso acontece alimentado pelas labaredas de vaidades que surgem lotadas em tecnologia de um futuro que suga o verde das matas. Sorve a água do sertão. Pinta os lombos das serras de nuvens artificiais sem critérios. O progresso é cruel com a memória. Faz parte de uma bola de commodities que se propala sincronizado com a euforia do poder.

A tecnologia pintou um Cerrado de paisagem vazia. Sem Pé de Garrafa, Currupira e Saci Pererê. A dengosa Susuarana, foi se encostar ali pras bandas dos grotões. As Mulas Sem Cabeças deixaram de cavalgar nas noites de luar; vestiram terno com gravatas coloridas e foram assombrar os gabinetes oficiais.

Esse quadro foi negociado nas bolsas de valores do comércio exterior em troca de um prato de arroz com feijão cru. Pois, acabou a lenha para fazer o cozido. Acabou a caça e a mistura se tornou o olho da cara.

Tudo isso para dizer que a Copa Pantanal embora seja o evento do século para o charco pantaneiro vai acontecer fazendo suas vítimas. Porque não há mais espaço para o pensamento de uma vida simples e coberta de mesmice e mormaço do tempo; de tomar uma fresca encostado na paciência do cafundó. É hora de ver o jogo da geral.

Os jogos da Copa estão se regalando entre bolas divididas e jogadas de mestres. Lançamentos em profundidades e penetrações surpresas. Sinceramente, não dá pra ficar fazendo balãozinho dentro da área que o jogo é de campeonato mundial. Junto e misturado totalmente full.



Categoria: Crônicas
Escrito por Luís Gonçalves às 10h39
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IRA

Durante muito tempo se discutiu a famosa engenharia de tráfego adequada a Cuiabá dos meus amores. Disque fulano de tal, que era não sei o que, vindo lá não sei de onde, traçou o esquema daquele jeitinho.

Baixou o facão por ali banda do Barcelos e rasgou um picadão que foi dá lá pra donde o Judas perdeu as botas. Pegaram aquele povo que vivia ali no caminho da perdição do Beco da Lama e soltaram os infelizes lá pra banda daquele barranco vermelho onde escorrega lá vai um.

Nesse entrevero aproveitaram para rasgar o beiço das ruas e a barbela de rio. Correram com todos aqueles peixinhos que a gente cevava ali na beira do sarã da ponte. O rio ficou destampado igual vitrine de boutique. Ali no Porto teve gente que empacou e fez até promessa para não deixar a barranca do rio.

O povo ali de cima caía na risada quando a coisa passava no horário nobre da TV. Nada como um dia após o outro. A copa pantanal chegou para enquadrar os risonhos e nivelar o público.

A “marvada” veio de cima pra baixo atropelando tudo. Comprou meio mundo só pra sair por ai falando que era coisa boa. Encheu o nariz de folha do povo dizendo que dinheiro não ia faltar. Agora vem dizer com a cara limpa que não tem uma tetémeia pra indenizar o povo.

O mandato de desapropriação não perdoa ninguém. Histórias de famílias inteiras vão alisar as lâminas dos tratores e fazer poeira para gente fina ver. Tudo por amor ao peladão das estrelas. Ninguém quer saber se vale à pena ou deixe de valer?! A questão é que a cidade precisa crescer e para isso faz um remanejamento social. Mexe com quem tá quieto.

Tira, estica, faz e acontece. A comissão técnica pretende manter um time totalmente ofensivo para aplacar a ira da torcida. O centro-avante é um tal danado para passar melado no beiço do povo.

Pela rebarba direita um tal metido a colocar tudo abaixo e pelo lado esquerdo o famoso come quieto. O meio de campo é formado pela equipe levado a breca. Acostumado a rasgar tudo no bico da chuteira. Na zaga tem a dupla de zagueiros dinamite e nitroglicerina, ambos conhecidos pelo alto poder de destruição.

Na cozinha, um descendente direto do próprio Jack Estripador. O time foi escalado pelo professor risca faca. No meio dessa cena de sangue o torcedor aguarda para ver o time de pernas de paus que virá pra cá.



Categoria: Crônicas
Escrito por Luís Gonçalves às 23h02
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LUXÚRIA

Caminhando nas ruas empenadas do centro antigo da capital percebo que a copa pantaneira ainda não conseguiu furar o bloqueio da zaga cuiabana.

O comércio do calçadão mantém marcação cerrada em quem tenta penetração pelo lado esquerdo. Chutes e pontapés saem pelas laterais nas bolas altas do festival de promoções e descontos imperdíveis.

As novidades são aquecidas por vendavais de preços baixos e produtos de melhor qualidade. Os narradores esportivos dão ritmos de euforia e a poluição sonora cria um clima de desespero na boca do caldeirão.

Lá atrás, a galera enche a cara numa bebedeira sem fim nos bares da zona do perigo. Quem tem dinheiro investe na poupança feminina e quem não tem lambe com a testa. Sempre há ganhador do bolão.

Do outro lado quem comanda é a camisa treze trazendo grandes nomes do mundo com bola cheia. A partir daí o time passa a jogar de salto alto com jogadas de efeitos. O campo dos negócios é melhor. O tapetão é levado em conta. Porém, envolve maior perigo. O trânsito é sufocante e o trajeto vira uma aventura. As calçadas são disputadíssimas e o corpo a corpo gera um clima de tensão permanente.

O jogo fica tenso. Numa situação dramática. O time sobe totalmente desorganizado. Surge um vácuo na meia cancha abrindo possibilidades para os contra ataques violentos. O jogo complica realmente quando os semáforos da grande avenida dão cartão vermelho paralisando a partida. Os adversários fazem cena de terror.

As ações que visam controlar a situação e dar maior visibilidade ao patrimônio antigo são todas bolas murchas. Os bens materiais sofrem uma corrosão desenfreada. No meio campo há um bate rebate entre a poluição visual e os bem culturais. Não há total domínio da política cultural e o jogo vai ficando cada vez mais truncado.

Os investimentos são baixos e os lançamentos muito altos. Como a maioria dos jogadores sente o cansaço de levar bolas nas costas recua e fica na retranca sofrendo a pressão do tal jogo de cintura.

Enquanto isso a turma da copa da um balãozinho aqui; recebe, domina no peito e joga pra escanteio esperando o jogo acabar para erguerem o troféu do campeonato. O juiz apita bem, não cria atrito e deixa a partida correr solta. É um jogo para assistir em 3D.



Categoria: Crônicas
Escrito por Luís Gonçalves às 13h58
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SOBERBA

Quando existia leite para se tomar e café quente no fogão á lenha a política era de graduados que se intitulavam café com leite. Na época o sistema era bruto: não existia açúcar e muito menos adoçante. Político não sofria diabete e morria de tanto fumar.

Era vício da classe politiqueira se reunir somente para ver a cobra fumar. O espetáculo rendeu tanto que até dias de hoje o que têm de serpente e cobras venenosas no mercado nem o santo Cristo dá pelas contas. O vício de ver o circo pegar fogo e não fazer nada também foi para as ruas e contaminou a sociedade.

Tanto que alguns sindicalistas entraram na festa de “bicão” e foram logo armando piquetes. Isso também virou moda. Greve se tornou tendência e passeata desfile de moda. Esse reboliço de mídia e nação multifacetada deu a luz a tal “democracia”.

Tanto que contraventores passaram a ser comendadores com total influência política. Surgiram os cartolas e os dirigentes das escolas de samba todos calçados para o baile. As bancas de jogo do bicho viraram bolsas de valores e financiadores do fundo de campanha. Criando uma ciranda financeira que fez dos fundos de pensões paraísos fiscal.

Como na política nada morre e não há suicídio para sempre os velhos coronéis da corte calçaram a botina e voltaram com nova roupagem: agronegócio. Criando novo estilo que vai do sertanejo universitário até o sequestro de carbono.

Todo fazendeiro que se preze se tornou ambientalista de carteirinha. Passou a abanar o pum do boi com o foliar do capim. Cada erva daninha que surge no pasto valoriza a APP. A política assumiu a posição de produtora de alimento através da bancada ruralista. Em nome desse desjejum o Cerrado e as Florestas entraram no correntão legal.

A classe se tornou multimídia. Instrumentalizou e afinou o discurso. Nasceu uma política vagabunda repleta de vícios de linguagem e jargão remendado. Antigamente jogava-se o verde para colher o maduro. Agora se vende o maduro para depenar o verde.

Nessa crônica só não consegui entender aonde foi marcado o encontro fatal dos coronéis com os sindicalistas? Qual acabou gerando esse romance verde oliva da cor do pecado. Defumado com ervas daninhas e cheiro de mato queimado. Um épico político de grandeza comercial.



Categoria: Crônicas
Escrito por Luís Gonçalves às 22h18
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DELIVERED

Mamãe diz que o mundo dá muita volta e que nós somos surpreendidos com a volta que o mundo dá. Então... Quando desemboquei cá nesse capão de mato tudo se resumia em uma cuia de casinhas por aqui e acolá e um varadô que dava ali na Várzea Grande.

Que naquela época disque era cidade industrial. Efervescência cultural e dramática. Todo mundo possuía argumento forte para mandar prender quem detonou com a capela antiga ali da praça matriz. Os amantes do futebol viviam com tchi, tchi, tchi na boca porque os deputados resolveram montar acampamento logo ali no campo D’urique.

Essa palhaçada até secou a água do chafariz do mundéo. Acabou a pelada da moçada e deixou a política mais nua do que nunca. Revoltado o povo foi acampar ali no clube feminino e a safadeza ganhou destaque Vip.

O povo ali da feira da mandioca fazia guerra de morte por dito e causa da tal ponte da confusão. A parte nobre da cuiabania não se cabia em si pelo fato de terem entupido de cimento o córrego da prainha.

Como era pau rodado; vindo lá não sei de onde; não tinha voz ativa de nada. Só assuntava. Mas sempre fui enxerido a querer ajudar. Já que o pessoal curtia a coisa da terra desenvolvi alguns produtos que unia a raiz local com a tecnologia moderna.

Pra quê? Quase fui linchado. Ninguém gostou da ideia. Guardei os projetos e fui me acasalar com a insignificância. A história foi enterrada até a pouco tempo atrás quando então veio cair por aqui a tal copa do Pantanal.

O povo agora faz fila atrás dos meus produtos genuinamente pantaneiros. Querem apresentar o novo para o turista e me procuram atrás do velho. Como sempre defendi a socialização da informação deixarei aqui a lista dos produtos mais procurados para quem possa assim interessar.

Para as crianças que vem á tiracolo teremos caju do amor caramelado. Para aplaina o apetite dos grandões churrasquinhos de jacaré ralado. A diversão seria no balanço do rabo da sucuri atômica. Diversificação, mão de onça para coçar e massagear o lombo do freguês. A piranha seria utilizada como piercing e o pacu supositório natural.

Não entendo bem de copa do mundo, mas essa copa pantaneira está rendendo mais que a indumentária da nova princesa. Que mais parece a minha bisavó vestida para ir fazer exame de sangue ali na santa casa.



Categoria: Crônicas
Escrito por Luís Gonçalves às 13h24
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TREM EXPRESSIONISTA

Li alguma coisa sobre liberar emoções. O compêndio rogava que devesse relaxar. Relaxei tanto que acabei facilitando demais. Afirmava que para liberar emoções o interessado deveria primeiro ter como certo a própria reserva de emoção.

Gastei um tempo precioso da vida em busca da tal captação de recursos emocionais e conscientização de que realmente possuía um pingo de emoção acumulada. Mesmo assim não obtive êxito.

Vazio e desolado, mesmo não amando a tal depressão juro que passei alguns dias internado numa casa do prazer. Curando a decepção de ser uma pessoa sem reserva emocional o suficiente para liberar emoção.

Essa estada na casa “das primas” rendeu alguns adjetivos que carreguei por longo tempo. Todas as garotas que se envolveram comigo a partir daí acabaram ouvindo que eu era mulherengo e gostava de orgias.

Fuxico de gente baixa! Sempre fui um homem de brio e moral ilibada. Meu único defeito é gostar do que é bom e procurar fazer a coisa certa. Certa vez ouvi de uma dona, pela qual estava apaixonado, que “a minha cara condenava”.

No dia seguinte procurei um cirurgião que me deu cara nova, modelo novo e uma recauchutada geral. Mesmo assim a sujeita não acreditou em mim. Sofri até por essa paixão. No auge da dor recordei do texto e joguei tudo para o alto. Não deu outra. Quando a coisa caiu veio de enxurrada peguei uma febre de amor por uma dona que quase fui a óbito.

Quando consegui me livrar fiquei com o corpo todo esculhambado pelas sequelas não podia nem ouvir falar em namoro que já tremia feito vara verde de bambu ao sabor do vento de meado de agosto.

Nessa época conheci uma sirigaita que vendia saúde jogada as traças. Sofrendo da maledicência do peito encostada no meio-fio da vida. Tudo que queria era alguém para aquecer as costelas. Como sempre fui um negro calorento me deixei levar pela generosidade.

Assim safei da maldita letra sem liberar emoções. Resumindo, minhas vadiagens causaram um impacto danado e têm pessoas por ai liberando emoções de R$ 1,1 bilhão só para transporte de ego e umbigos recheados e a galera aplaude legal. As diferenças, é o que nos faz humanos.



Categoria: Crônicas
Escrito por Luís Gonçalves às 10h55
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MISCIGENAÇÃO

Vamos até onde podemos ir. Caminhamos através de rumos e destinos ignorados. Orientados por estrelas teleguiadas por sentimentos. Seguimos por passarelas de sonhos e fantasias. Largados nos braços da esperança.

Vivenciando tudo sobre sorte e futuro. Correndo riscos desnecessários imaginando sempre suficiente. Viver é o básico. É cuidar de um presente precioso que precisa perpetuar. Mesmo que o corpo tenha a data de validade vencida a vida permanece impregnada nas pessoas queridas.

Imagens congeladas repletas de saudades. A vida fica impressa em retratos de bravuras e dor. Nos lugares mais inusitados. Em determinado momento a vida tem mais sentido que a própria figura. Porque se torna eterna. Assume uma construção de valores que perpetua.

Criações que se destacam. Emancipam. Procriam estilos e modas. Veste e revestem anos e décadas. A vida renasce a cada movimento. Se doa como presente num corpo frágil que necessita de todo cuidado para sobreviver o tempo necessário para que pés rebeldes e passos indecisos façam realmente a diferença. Nessa estrada não há regras pré-definidas.

Apenas curvas e retas que aumentam ainda mais a adrenalina. Vias de acesso ao desconhecido imprevisto. Todos os caminhantes são passageiros das próprias ansiedades. Adeptos de uma velocidade inusitada e uma contínua febre de chegar a lugar algum.

No acostamento fica acumulado o bagaço da rotina, o esforço desmedido e uma vontade ridícula de voltar e recomeçar tudo novamente. Nas paisagens, bancos vazios. Sonhos perdidos e alguns detalhes teimosos que insistem em se apegar nas lembranças. Nos jardins as flores que não foram entregues se murcham em meio às pragas daninhas.

Nas árvores um adeus silencioso ecoa sempre lembrando que tudo passa muito rápido e que o vento leva as picuinhas supérfluas. Os pássaros praticam uma harmonia suave de ritmo gritante embalando um pecado não revelado. Uma verdade não dita.

A vida já não se lembra do corpo belo e esbelto, da tenra infância quando era feliz e não sabia. Apenas cultua o dengoso sacrifício de colecionar dividendos que nem sempre é digno de honraria.

O corpo reclama férias definitivas. Exausto se entrega ao limite consciente do desgaste sofrido ao longo do tempo. A vida lamenta as etapas avançadas sem critérios, às horas desperdiçadas e o grande acúmulo de conhecimento e riquezas que ficará.

Pois o que realmente faz a diferença é a grande vitória vivida. Os troféus são apenas símbolos que devem ser transferidos. Senão a vida não seria um presente.



Categoria: Crônicas
Escrito por Luís Gonçalves às 21h15
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POWER IN

Para conseguir retirar o máximo proveito da capacidade individual, que cada qual traz explícito na anatomia humana, o melhor caminho é a partir da boa observação.

Um trabalho lento e constante até o aprendizado necessário que permite utilizar ambas as polaridades com competência e responsabilidade. Porém, é gratificante.

Ótima oportunidade de dar ênfase total ao conjunto: intelecto e força. Esses dispositivos quando equilibrados vibram uníssonos em busca de um resultado satisfatório.

No teatro fala se muito em consciência corporal. Consciência externa. Porém, a consciência interna é de suma importância para que o profissional alcance um ótimo resultado externo.

A partir da frase “atitude fisiologia” é possível perceber a necessidade da posição correta da musculatura e esqueleto ósseo para uma postura adequada que transmita autoconfiança.

O corpo humano possui recursos e capacidades inatas, escondidas, somente esperando o momento de serem convidadas a atuarem. Toda pessoa humana possui energia suficiente para suportar, aceitar, transformar, superar e realizar, com prazer e segurança o que se propõe.

A percepção é de extrema importância. O homem é aquilo que percebe. O que não consegue perceber não faz parte de sua vida. Descobrir que é possível municiar a mente com informações precisas. Facilitar o desenvolvimento do pensamento criativo.

Manter contato com a inteligência corporal. Observar a mudança acontecer no próprio modo de pensar, falar e agir. Na maneira de encarar com naturalidade os desafios. Postura tranquila e passos firmes.

A utilização e qualificação do próprio corpo enquanto instrumento mesmo com toda limitação física. Marcando um encontro com esse corpo, é possível dominá-lo e retirar o melhor proveito possível da própria estrutura física e orgânica.

Além, de criar mecanismos de resistência e agilidade. Preparando o corpo, para concentrar toda capacidade para apenas um foco de cada vez. Visando a economia de esforço físico e a eficiência quando necessário.



Categoria: Crônicas
Escrito por Luís Gonçalves às 18h18
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INEVITÁVEL

É perceber que os dias passam, mas a tua presença permanece sempre viva em mim. É saber que todas as direções de amor me levam a você. Que até mesmo o sono não vem quando tu não está por perto.

Inevitável são teus lábios fazendo do teu mel, um tormento. Dos beijos, açoites. Carregando todas as carícias para as segundas intenções. É simplesmente observar o fim se aproximar nos braços do teu encanto.

O canto da noite se torna insuportável e as músicas machucam o peito. Na tua ausência a noite é tão negra e tão escura que sequer a paz consegue me encontrar.

É inevitável perceber que sem você os dias são chatos. Que os sorrisos são de dentes semicerrados e olhares cabisbaixos. Os convites chegam embalados em desafios longínquos sendo impossível vencerem o marasmo. As músicas são toadas de velhas histórias esmaecidas e sem nexo.

Todo prazer atola numa solidão de almas em fatias. Em que todos os contos são esquecidos e as poesias engavetadas. Inevitável é ler teu nome nas sopas de letrinhas sem perder o apetite.

Dizer para os amigos que tudo é passado sem se sentir ridículo. Vestir a mesma calça desbotada na esperança de trazer para o presente as boas lembranças do passado.

Evitar passeios pelos lugares poluídos de recordações ilimitadas. Inevitável é perceber que tudo terminou acabando com o melhor dos dois. Que os sonhos deixaram saudades da vida que meias palavras não conseguem expressar.

Tudo que falta é um salto alto atrevido. O que sobra é a sensação de passos apressados que nunca chegam. Tropeçam na rotina de desejarem sempre mais. Alguns fantasmas de presença ausente que não satisfaz.

Inevitável é perceber quem sem você a vida trava. Esbarra na cortina dos vírus sem vacina. Condenando o coração a ouvir um disco rígido contaminado. Um detalhe namorido. Curtir o namoro de um hacker sensação.

Um assassino traído e cultuado. Apenas parte de uma relação. Como toda história cruel de paixão finda numa hipocrisia sentimental o delírio dos namorados desse estado terminal é viver o inevitável dia sem o teu amor.



Categoria: Crônicas
Escrito por Luís Gonçalves às 20h12
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